Pós-Luta

Publicado em 28 de Novembro de 2015 às 22h:10

Em zebra da década nos pesados, Fury vence Klitschko e é o novo rei da categoria

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Autor Luigi F.


Tyson Fury é o novo rei dos pesados. Imagem: Lee Smith/Reuters

Ele falou, provocou, fez de tudo para chamar a atenção da mídia e tirar a concentração de um dos maiores campeões da história dos pesos pesados. Mas, nem sempre os falastrões são feitos de ameaças vazias. Em desfecho que pode ser considerado a grande zebra do boxe em anos, provavelmente a maior da última década, o britânico Tyson Fury (25-0, 18 KOs) desbancou Wladimir Klitschko (64-4, 53 KOs) e é o novo campeão mundial dos pesados pela AMB, FIB e OMB.

Conforme já havíamos antecipado no nosso pré-luta, uma das principais variáveis envolvendo a contenda que terminou há pouco na cidade de Düsseldorf, na Alemanha, era qual seria o comportamento de Klitschko diante de um oponente mais novo, mais alto e com maior envergadura. Como dissemos, a vantagem de Fury em relação a Wladimir nesses três quesitos eram as maiores já enfrentadas pelo ucraniano em disputas de cinturão mundial. E com certeza, foram determinantes para a vitória do novo campeão.

A luta começou estudada, como não poderia deixar de ser. Com os primeiros rounds alternando com uma pequena vantagem para um, ou para outro, o contexto em si foi bem semelhante no primeiro terço de luta: Fury rodava, usava das esquivas e conseguia frear a maioria dos ataques de Klitschko. Este, por sua vez, era cauteloso, e evitou se expor aos contra-golpes do rival.

A partir do 5º assalto, Fury passou a abrir vantagem. Dono dos melhores golpes, o britânico conseguiu impor seu estilo e freou sucessivamente o ímpeto do “Dr Steelhammer”. Com um corte abaixo do olho esquerdo, ocasionada por uma cabeçada involuntária, Klitschko acabava mais atingido.

Esse foi o panorama até o 10º giro, quando após ser avisado pelo córner que estava atrás, Wladimir tentou buscar a luta e conseguiu fazer um bom round. Entretanto, a esperança do ucraniano e de seus fãs não durou muito. No 11º assalto, Fury voltou novamente a apresentar vantagem, inclusive acertando um golpe que fez Klitschko sentir. Ao virar de costas, Wladimir acabou atingido na nuca, e como isso já se repetira em rounds anteriores, Tony Weeks acabou descontando um ponto do britânico.

No último assalto, Wlad teve provavelmente sua melhor performance na noite, vencendo com clareza. Entretanto, já era tarde demais para uma reação. Com duplo 115-112 e um 116-111, a categoria máxima tem um novo campeão mundial. O Round 13 viu uma vitória de Fury por 114-113, um pouco mais apertada do que os scores, mas ainda assim uma vitória clara do novo campeão, que só não foi maior pelo ponto descontado. Daniel Fucs, comentarista que cobriu a luta na transmissão ao vivo realizada pelo canal Sportv3, marcou 115-112 para o britânico.

Emocionado após o anúncio de sua vitória, Fury caiu em lágrimas ao ser entrevistado. “Eu não estou acreditando. É difícil vir a outro país e vencer. Quando tive um ponto deduzido, achei que perderia”, declarou o gigante britânico de 2,06m de altura. Mas o choro não foi a única memória pós-luta do novo campeão. Após agradecer Wladimir e enaltecê-lo por ter sido um grande campeão, o irreverente lutador soltou a voz, e cantou “I Don’t Want to Miss a Thing”, famosa música da banda Aerosmith, para sua esposa.

Resta agora aguardar quais serão os próximos passos do recém coroado Tyson Fury. Não podemos negar que será interessante ver um lutador com esse perfil detendo os cinturões. Polêmico, irreverente e cara de pau, o britânico tem algumas opções interessantes diante de si para o ano que vem. Uma revanche com Klitschko? Uma luta contra David Haye, seu compatriota e adversário de farpas trocadas na mídia? Ou uma unificação dos 4 principais cinturões contra Deontay Wilder? Em breve, teremos uma resposta.

À Wladimir Klitschko, campeão por tantos anos, invicto desde 2004 até o dia de hoje e detentor de tantas marcas importantes na história da categoria, fica o nosso reconhecimento e a esperança de vê-lo retornar em breve, quem sabe para buscar recuperar os cinturões que deteve por tanto tempo.

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