Pós-Luta

Publicado em 13 de Dezembro de 2015 às 03h:02

Esquiva Falcão e Anthony Joshua fazem a lição de casa.

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Autor Daniel Leal

Brasileiro bateu Munoz, que mal ofereceu riscos; Já Joshua teve bom teste diante de Dillian Whyte

É injusto para com o talento do brasileiro Esquiva Falcão (12-0, 9 ko's) que ele continue, constantemente, sendo colocado diante de oponentes que não lhe representam - senão nenhum -praticamente risco algum já após doze contendas profissionais. Neste sábado, no Convention Center de Tucson, Arizona, não foi diferente. Ele não teve trabalho diante de Hector Munoz (23-17-1, 15 ko's) para derruba-lo no segundo assalto, e obrigar o árbitro à, piedosamente, encerrar as ações durante o quarto, apesar da experiência que este trazia consigo na carreira. O mexicano teria sido considerado um bom teste para Esquiva, se ao menos conseguisse se defender de alguns golpes, ou quem sabe, acertar outros. Mas a realidade é que Falcão provavelmente fez sparrings mais duros em treinos de rotina do que o imbróglio entre ele e Munoz no ringue desta noite.

A Top Rank precisa mudar a “chave”. Necessita colocar Esquiva contra adversários, gradativamente, mais qualificados, ou incorrerá no erro da maioria dos promotores tupiniquins: Proteger seus talentos, aumentar seu cartel, e depois vê-los perdendo ao dar saltos enormes de qualidade em termos de oposição no quadrilátero.

O canhoto, medalha de prata nos últimos Jogos Olímpicos, tem tanta habilidade que não merece fazer tantas lutas diante de pugilistas de qualidade tão abaixo da sua. Apesar de isso ser normal no início da trajetória de um boxeador, o filho de Touro Moreno poderia encarar desafios maiores já há algum tempo.

Á exemplo do que faz com Ryota Murata, sua promotora deveria colocar mais fé em seu jogo e em sua experiência como amador. Se tivesse feito, Esquiva já estaria, com certeza, aparecendo nos rankings mundiais.

No mesmo evento, o ex-campeão nacional dos leves, Sidney Siqueira (26-11-1, 17 ko's),foi batido pelo local Jose Benavidez (24-0, 16 ko's), por decisão unânime dos jurados, após 10 intervalos. Com peso muito á cima do pactuado, o staff de Benavidez teve de aumentar a bolsa de Siqueira – cerca de 3 quilos mais leve no momento da pesagem - para que este aceitasse adentrar ao tablado.

Mesmo com a vantagem física e de 15 anos  em idade, Benavidez, campeão interino dos meio-médios-ligeiros pela AMB, não superou a valentia de Siqueira, disposto á permanecer em pé todo o tempo, logrando este êxito. Como a vitória não vai, necessariamente, para o pugilista mais valente, com marcações em 99-91 e 100-90 (duas vezes), Benavidez mantém-se invicto. Já Sidney soma sua terceiras derrota consecutiva.

O SporTV transmitiu a programação, ao vivo, com comentários de Daniel Fucs.

Joshua tem mais trabalho, mas vence Whyte

O britânico Anthony Joshua (15-0, 15 ko's) conseguiu manter sua sequência impressionante de vitórias por nocaute na carreira ao bater na noite deste sábado o compatriota  Dillian Whyte (16-1, 13 ko's). Estavam em jogo os cinturões britânicos, do Reino Unido, e Internacional do CMB, na categoria máxima. O medalhista olímpico em Londres 2012, porém, teve mais trabalho do que em suas contendas anteriores. Levado até o sétimo giro, e necessitando se segurar ao tomar alguns golpes no segundo e terceiro assaltos, Joshua teve a oportunidade de mostrar mais de sua resistência.

Mostrando desenvoltura maior á partir do quarto round, ele voltou á dominar Whyte sem ter tantos entraves, e durante a sétima passagem, acertou belo cruzado na têmpora que fez Dillian balançar. Sentindo a fraqueza momentânea do oponente, Joshua buscou finalizar o combate, e conseguiu, ao apagar o atleta do corner oposto após belo uppercut que o jogou desacordado sobre as cordas.

Fica claro que Anthony é versátil e mais preparado do que apenas um grandalhão nocauteador. Porém, faltam ainda alguns (poucos) ajustes em seu jogo para que possa mostrar 100% de seu potencial diante dos campeões mundiais da categoria.

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