Pós-Luta

Publicado em 27 de Agosto de 2017 às 02h:26

Mayweather faz o óbvio e nocauteia McGregor

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Autor Daniel Leal

A coragem de Conor McGregor na noite de hoje deve ser elogiada. Mas, aos 40 anos de idade, Floyd Mayweather Jr. demonstrou o que todos já esperavam: Domínio pleno, sem sustos, e complementado por um nocaute.(Reuters/Steve Marcus)

A luta entre Floyd Mayweather Jr. (50-0, 27 ko's) e Conor McGregor (0-1) foi exatamente como os especialistas esperavam. Sem sustos e tomando os primeiros rounds para estudar o mais alto, visivelmente mais forte (especula-se, 10 quilos mais pesado na noite do combate), e não-ortodoxo lutador de MMA, Mayweather deixou o “Notorious” cansar, “cozinhando o galo” e começando a combater de verdade depois do quarto round.

Aplicando sempre diretos e cruzados potentes no corpo, adiantou esse processo e fez McGregor chegar a exaustão após o oitavo intervalo. Os erros técnicos do irlandês foram notados desde o início, talvez sendo escondidos por sua valentia.

Claro também ficou o quanto a idade pesa para um atleta. Floyd não é nem sombra do que já foi, mas ainda mantém seu timing e sua capacidade de adaptação. Prova de que se molda ao jogo do oponente sempre, praticamente não usou, por exemplo, seu “shoulder roll”, defendendo-se muito mais na guarda clássica e partindo para cima no “in fight” em vários momentos. Isso claramente deixou o lutador da Irlanda sem muitas opções, afinal, sua postura de canhoto seria seu único trunfo tático perante a defesa que “Money” sempre usara.

Após castigar seguidamente seu adversário, Mayweather partiu para encerrar as ações acertando o rosto de Conor, mas sem se expor, aguardando a melhor hora, o que ocorreu durante a décima passagem. Sem condições de continuar, segurando-se para não beijar a lona, o árbitro Robert Byrd - extremamente leniente com as faltas seguidas de McGregor durante o confronto – salvou o contratado do UFC de um castigo ainda maior.

Vitória mais do que óbvia do maior pugilista das últimas décadas. Ainda que muito menor e parado há dois anos, mostrou que nada, absolutamente nada, supera a técnica bem aplicada, a repetição, a disciplina e o trabalho duro. Seria muita ingenuidade crer que alguém que nunca praticou a nobre arte em alto nível, apenas em alguns meses de treinamento seria capaz de suplantar esses atributos lapidados ao longo de toda uma vida.

A nota lamentável foi a transmissão do canal Combate. A exceção de Daniel Fucs, sempre pertinente, e Rogério “Minotauro” Nogueira, o restante da equipe parecia perdida, demonstrando falta de conhecimento e até mesmo de boa vontade com o boxe. Até mesmo Acelino “Popó” Freitas, que deveria saber muito bem que ficar parado e voltar depois de anos não é fácil, errou. Exigir que Mayweather nocauteasse logo chegou a ser cômico para alguém que demorou nove rounds para fazer o mesmo contra Michael Oliveira em seu retorno – Isso quando Popó era quatro anos mais novo do que Floyd é nesta madrugada. Novamente, assim como na transmissão de “Mayweather vs. Pacquiao”, prestou um desserviço ao esporte de luvas, em nossa visão.

Nas principais preliminares, valendo cinturões mundiais, o americano Gervonta Davis (19-0, 18 ko's) já havia perdido o título da FIB nos super-penas na balança, portanto o mesmo estava em jogo somente para o costa-riquenho Francisco Fonseca (19-1-1, 13 ko's). Fazendo mais graça do que deveria, Davis complicou para si mesmo e não obteve bom desempenho.

A vitória veio por nocaute no oitavo giro, após um golpe aplicado na nuca de Fonseca. O árbitro errou ao abrir a contagem e ao não punir Gervonta por ter, além de golpeado ilegalmente, empurrado seu adversário que estava no clinch antes da queda.

Nathan Cleverly (30-4, 16 ko's) não conseguiu defender seu cinturão AMB “Regular” dos meio-pesados e voltou para o Reino Unido sem ele ao ser derrotado no quinto round pelo sueco radicado nos EUA, Badou Jack (22-1-2, 13 ko's), que com a nova conquista tornou-se bicampeão mundial em duas divisões diferentes. Jack castigou Cleverly pouco a pouco, até obrigar o árbitro a interromper as ações quando o britânico era massacrado junto ás cordas.

O evento foi transmitido para o Brasil através do Canal Combate, para seus assinantes e em sistema pay-per-view, ao vivo.

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