Pós-Luta

Publicado em 30 de Setembro de 2016 às 19h:44

Moledas e Rose Volantê vencem seus compromissos em Santos

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Autor Daniel Leal

Enquanto Felipe dominou amplamente o embate contra o argentino Pablo Rico, a melhor brasileira no boxe atualmente teve luta mais dura contra Luana Silva.  (Imagem: Round13)

A baixada santista estreou nesta noite uma possível nova rotina pugilística. Como já adiantado, a ideia do evento que reuniu neste sábado no ginásio do Clube Internacional de Regatas, em Santos, três lutas profissionais e cinco amadoras, é de que seja repetido, aos mesmos molde,s toda a semana derradeira de cada mês.

Neste dia 30 de Setembro, Felipe Moledas (11-0, 7 ko's) foi o encarregado de encabeçar esta iniciativa e não decepcionou. Durante seis assaltos disputados nos superleves (63,5 kg), o santista não perdeu o domínio sobre Pablo Rico (0-3) em nenhum minuto sequer. O canhoto brasileiro atuou muito bem nos contragolpes, e castigou o corpo do hermano com body shots muito bem colocados.

Esteve próximo do nocaute em, pelo menos, duas oportunidades, uma no quarto e outra no sexto round. Porém, nos segundos finais de confronto, já com a vitória em mãos há muito tempo, resolveu demonstrar sua superioridade com fintas e esquivas, além do jogo de pernas, agradando a torcida local, sempre presente em suas disputas. Ao final da contenda, como era de se esperar, todos os jurados viram 60-54 á favor de Moledas.


Felipe levanta a mão de Rico em reconhecimento ao esforço do seu oposto. (Imagem: Round13)

O caminho de Felipe agora pode ser retornar às categorias mais adequadas a seu porte físico – ele é campeão brasileiro dos super-penas (58,9 kg) pela ANB – o que lhe concede, além da notável habilidade técnica que já possui, mais poder de decidir suas pelejas pela via rápida. Não é novidade para ninguém que o confronto que o público quer ver é entre ele e Eduardo Reis, infelizmente ainda não viabilizado, principalmente por razões financeiras.

Já a “Rainha do Boxe Brasileiro”, como tem sido chamada Rose Volantê (8-0, 5 ko's), demonstrou frieza, garra e valentia diante de uma incansável Luana Silva (0-1). Desde o soar inicial do gongo, ambas entregaram tudo que tinham, trocando golpes ferozmente no centro do ringue. “Queen” era melhor do que Silva, e, apesar de entrar em um jogo que não lhe é conveniente (por méritos de sua adversária, diga-se), levava vantagem graças à virtuosidade óbvia que a levou aos rankings do Conselho Mundial de Boxe e ao título latino desta referida entidade.

No terceiro giro, um corte no supercílio esquerdo de Volantê preocupou seu corner, principalmente após o carismático mediador, Walmir Rego, interromper o imbróglio para que o médico verificasse o mesmo, cuja quantidade de sangue consequente espantou a plateia. Controlada a hemorragia durante o intervalo por parte de sua esquina, Rose retornou ao embate franco com Luana, cujo rosto já encontrava-se bastante inchado, e assim seguiu-se até o sino final.

Com marcações em 59-55, 60-54 e 60-55, a melhor peso-leve em território nacional manteve seu status vencendo a valente adversária cuja impetuosidade conseguiu causar problemas diante de alguém bastante superior. O Round13 anotou 59-55 como resultado. Apesar da confortável vitória nos pontos, vale a ressalva da dificuldade em cada uma das rodadas. Um belo exemplo de como uma batalha dura pode ter uma pontuação larga, uma vez julgada a cada espaço de três minutos, por um de descanso.


Rose e sua equipe após a vitória. (Imagem: Round13)

Na primeira apresentação profissional da noitada, Leonardo Rufino (3-0, 2 ko's), que surpreendera nas preliminares de Yamagchi Falcão vs. Devis Caceres em Julho, teve mais uma oportunidade de mostrar seu boxe centrado, bem trabalhado e impetuoso, dessa vez contra o resistente Alex Rosario (0-2). Rufino não dava trégua para seu oponente, que nos primeiros assaltos era mais ousado, característica que foi minguando conforme passava-se o tempo.

Fazendo uso de pêndulos em timing praticamente perfeito, combinações sempre perigosas e uppercuts matadores, Leonardo, lutando entre os super-galos, três divisões a cima de seu peso natural, anulou Rosario pouco a pouco até que o árbitro encerrasse o castigo durante a quinta passagem. Vale a menção de que, se bem treinado e com carreira guiada adequadamente, o atleta de 26 anos terá tudo para fazer um estrago nos pesos-mosca (50,8 kg).


Rufino tem braço levantado, confirmando seu êxito. (Imagem: Round13)

Cinco enfrentamentos amadores iniciaram a programação. O principal deles envolveu o tricampeão do luvas de ouro, Renato “Sassá” da Silva, e Andre Santos, que o havia desafiado publicamente. Sassá, também do time da “Boxe Evolution”, pertencente à Felipe Moledas, respondeu ao desafio com o nocaute da noite, fazendo com que Santos necessitasse de ajuda para descer do quadrilátero de cordas.

Nos demais combates:

- Hiago Martins, representando a Memorial/Evolution, teve atuação impecável preante Max da A.E.M Brasil, e obteve vitória ampla;

- Fernando Henrique, da Nigue Team, venceu Renato Silva, da Zebrão Boxe, nos pontos, no melhor confronto amador do evento;

- Janderson Soares foi derrotado nos pontos por Renan da A.E.M Boxe

- Inaugurando o ringue, Luis Marques, do Jabaquara Esporte Clube, fez luta de recuperação e obteve êxito diante de Leandro Prado, com pontuações de 29-28 (duas vezes) e 30-27.

O evento foi trazido á tona pela Memorial Necrópole Ecumênica (Grêmio Memorial), Boxe Evolution, Beneficiência Portuguesa de Santos e Shopping Patio Iporanga.

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