Pós-Luta

Publicado em 10 de Abril de 2016 às 01h:36

Pacquiao começa lento, termina rápido, derruba, e pode se aposentar com brilhante final de carreira!

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Autor Daniel Leal


O filipino fez grande exibição, em especial na segunda metade de luta, e venceu o norte-americano, mais uma vez, de forma convincente. Arthur Abraham vai mal e perde título da OMB para Gilberto Ramirez na preliminar.
(Imagem: guardianlv.com)

O multicampeão Manny Pacquiao (58-6-2, 38 ko's), aos 37 anos, pode ter se aposentado com vitória na noite deste sábado, no MGM Grand, em Las Vegas. Ele derrubou Timothy Bradley Jr. (33-2-1, 13 ko's), ex-campeão dos meio-médios e meio-médio-ligeiros, duas vezes, para levar a decisão por pontos dos jurados de volta com ele para as Filipinas.

Mesmo tendo vencido, Pacquiao não começou bem, sendo, até mesmo, letárgico nas primeiras passagens. Bradley, por outro lado, tinha um jogo definido: Fechado, atuando no mid-range, pontuando e andando “para fora” da esquerda de Manny. Ponto para o plano de luta de Teddy Atlas. O 3º round parecia que ia deixar tudo mais quente, mas terminou morno, mesmo o filipino tendo melhorado visivelmente sua atividade.

No quinto giro, Bradley acertava mais, porém se expunha de forma irresponsável, como reconheceram ele mesmo e seu corner, no intervalo, procurando corrigir depois. Pacquiao ainda encaixava golpes limpos esporadicamente, mas levava desvantagem em volume. Manny conseguia sobressair no sétimo, quando teve knockdown aberto á seu favor. Bradley pareceu ter escorregado, porém um golpe de direita (além de seu posicionamento errado de pernas) foi o que o levou á tocar o solo.

Voltando com “sangue nos olhos”, o americano conseguiu fazer Pacquiao sentir com boa sequência nos últimos 30 segundos do oitavo assalto.  O problema de Tim era que, mesmo quando levava vantagem, se deixava levar para o infight, aonde o enfrentamento era melhor para o adversário. Isso ficou evidente quando duas esquerdas de encontro o levaram, novamente, á lona, em um round em que, até aquele momento, estava melhor que o filipino.

Com uma boa estratégia em mãos, porém mal executada, Bradley adentrava os últimos giros visivelmente perdido e sem confiança, graças á seus próprios erros, e claro, aos fortes punches de Pacquiao.  Já o astro filipino estava muito diferente de seu início na contenda. Não estava mais “enferrujado” como na primeira metade, havia achado a distância e recuperado seus reflexos e esquivas que sempre lhe possibilitaram achar brechas no oponente.

Com scores de 116-110 (três vezes), chegara apenas à confirmação de que Manny Pacquiao conseguia, pela terceira vez, ser melhor do que Timothy Bradley, vencendo-o, nas papeletas, pela segunda. O Round13 pontuou próximo: 115-111 á favor do filipino.

Se a aposentadoria anunciada é real, só o tempo dirá. Fato é que, se confirmada, melhor e mais bonito que tenha sido assim, com uma boa vitória, do que amargurando uma derrota para seu maior antagonista, Floyd Mayweather Jr. Para Bradley uma coisa fica clara: Técnico não ganha jogo (nem luta). Atlas montou um bom plano para ele, que foi pessimamente colocado em pratica. Mostrou hoje que, diferente da lenda que estava a sua frente, não pertence á nata do esporte!

Na principal preliminar, “King” Arthur Abraham (44-5, 29 ko’s) e Gilberto “Zurdo” Ramirez (34-0, 24 ko’s) pelejaram valendo o título dos super-médios pela Organização Mundial de Boxe, então em posse do primeiro. O campeão começou fechado, praticamente não soltando golpes no primeiro assalto, e levando bom contragolpe de Ramirez na primeira vez em que se arriscou no segundo - forçando até um clinch neste momento. Abraham teve, então, que expor-se mais, o que o prejudicou no 3º e 4º giros, ainda mais.

As coisas foram ligeiramente melhores para “King” Arthur durante o quinto round, quando encaixou mais golpes ao passo que “Zurdo” foi menos efetivo. Apesar disso, o armênio naturalizado alemão parecia bastante receoso em se expor, além de estar nitidamente em dificuldades dada a altura do adversário e o fato deste ser canhoto.

O mexicano, claramente com menor poder de punch, procurava apenas pontuar, porém algumas vezes assustava Abraham com socos certeiros, que o faziam sentir e parar de avançar. Ramirez usava a distância maior e mais favorável para levar vantagem pouco a pouco e esse foi o cenário de toda a segunda metade da disputa.

Ao final dos 12 intervalos, vimos 117-111 para “Zurdo”. Já os jurados enxergaram, de forma unânime, 120-108 nas três papeletas, caracterizando vitória em todas as rodadas para o mais novo campeão dos super-médios, apesar de não ter demonstrado tudo isso no combate para cravarmos que seu reinado será longo. Abraham, pela pífia atuação de hoje, poderia pensar seriamente em uma aposentadoria.

Em outra semifinal, Oscar Valdez (19-0, 17 ko’s) teve pouco trabalho para tornar-se campeão norte-americano dos penas pela OMB ao sobressair totalmente perante Evgeny Gradovich (21-2-1, 9 ko’s). Após muito castigar o rosto do russo, o estadunidense derrubou-o durante a quarta passagem. Evgeny até levantou-se, mas o árbitro decretou que não haviam mais condições para ele e encerrou a contenda aos 2:14 minutos do 4º assalto, caracterizando uma vitória por nocaute técnico para Valdez, confirmando seu status de grande prospecto.

A programação teve início com a transmissão da vitória de Jose Ramirez (17-0, 12 ko’s) sobre Manny Perez (25-12-1, 6 ko’s), por pontos, após 10 rounds, defendendo seu título CMB Continental das Américas nos meio-médios-ligeiros. Ramirez usou bem sua maior envergadura e lutou na longa distância, dominando amplamente. Com scores em 97-93, 98-92 e 99-91, levou a decisão unânime para casa. O Round13 viu o resultado em 99-91, enquanto o comentarista Daniel Fucs pontuou 100-90, também á favor de Ramirez.

O evento teve transmissão para o Brasil, ao vivo, pelo SporTV.

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