Pós-Luta

Publicado em 12 de Novembro de 2017 às 03h:18

Popó vence, mas se despede de forma melancólica

Foto do autor

Autor Daniel Leal

Acelino “Popó” Freitas levou na decisão dos jurados diante de Gabriel Martinez, mas não se despediu da forma como sua história merecia. (Imagem: Reprodução)

Agora a pouco, na Arena “Guilherme Paraense”, em Belém, Pará, Acelino “Popó” Freitas (41-2, 34 ko's) fez aquela que afirma ser sua última apresentação em cima dos ringues diante do mexicano Gabriel “El Rey” Martinez (29-11-1, 16 ko's). Ele venceu, mas não da forma que o público presente e os seus fãs ligados nas TVs de todo o Brasil esperavam.

Martinez impressionou pela coragem logo de início no primeiro round, não parecendo estar diante de um tetracampeão do mundo, como era o caso, acertando Popó com bons contragolpes em algumas oportunidades, mas, ainda assim, ficando em desvantagem perante o baiano. No segundo, porém, com menos temor pela pegada de Acelino, Gabriel foi pra cima ao final do intervalo, derrubando Popó, que se levantou e ouviu o gongo logo na sequência.

O boxeador do México ganhou mais fôlego ainda na terceira passagem, sem demonstrar tanto respeito pelo poder de punch do brasileiro. Freitas se recuperou nos quarto e quinto assaltos. No sexto, porém, Martinez voltou a complicar e numa troca franca, fez Popó sentir e quase ir ao solo novamente.

No sétimo, houve desconto de pontos para “El Rey”, a princípio devido á um golpe após o soar do gongo. No oitavo e derradeiro round, Acelino novamente teve problemas e sentiu. Faltando menos de vinte segundos para o final, o experiente Antonio Bernardo chamou o médico para verificar um corte próximo ao olho do pugilista visitante, que foi autorizado a retornar.

As marcações dos jurados apontaram após o sino final, 75-74 (duas vezes) e 76-73, decretando vitória por decisão unânime para Popó. Em nossa papeleta, Martinez saiu-se melhor com 76-74, bem como na do comentarista Daniel Fucs.

Um final melancólico de carreira para um ídolo, em nossa visão. Vale a menção à valentia de Acelino Freitas, em seguir de pé e boxear o quanto pôde, mas ficou claro que seu preparo físico estava defasado, além de o limite dos pesos-médios ter-se demonstrado demais para o ex-campeão dos super-penas fazendo sua pegada praticamente inexistir, principalmente na segunda metade do confronto. Quando pressionado, Popó tentou usar seus reflexos, que não são mais os mesmos, e acabou sofrendo na mão de Martinez, que se tivesse mais ímpeto, teria nocauteado.

Mais grave do que os fatos, podem ser os desdobramentos. O boxe hoje pode ter sofrido um golpe duro, com o martírio de uma estrela da história de nossa nobre arte sendo martirizado em rede nacional. Esperamos, no entanto, que, mais uma vez, nossa combalida modalidade aguente mais esse golpe.

Antes da contenda principal, o duelo entre os cruzadores Lucas Pontes (1-0, 1 ko's) e Raimundo dos Santos (0-2) impressionou pela brutalidade. Pontes impôs três quedas em Raimundo, que já deveria ter sido decretado perdedor, pelo menos alguns segundos antes de beijar a lona pela última vez. Prova disso foi a toalha jogada pelo córner de Dos Santos, sendo que este não se levantara tão bem no segundo retorno, o que não tira os méritos de Lucas, que demonstrou muita força nos golpes para estrear no profissionalismo com muita autoridade.

O campeão brasileiro dos meio-médios-ligeiros Jackson Furtado (4-0, 3 ko's) impôs nocaute no primeiro round sobre o desfiante Paulo Galdino (3-2, 2 ko's), defendendo com sucesso, pela primeira vez, seu boldrié do Conselho Nacional de Boxe, mas não sem certa polêmica. A queda imposta a Galdino foi clara, sem deixar dúvidas. A violência dos cruzados de Furtado foi igualmente indiscutível. Discutível, porém, foi a atitude do árbitro que, mesmo ao ver o pugilista de joelhos, pronto a voltar, não foi ao final da contagem e encerrou a disputa com Paulo em pé, logo em seguida, claramente pronto ao retorno.

É verdade que Galdino poderia ter se levantado antes e a decisão do juiz é sempre soberana em relação à integridade do atleta, mas estava óbvio que o contendor apenas aguardava os segundos derradeiros para recuperar-se o máximo possível antes de retornar. Encerramento precoce, em nossa opinião, do confronto que poderia roubar a cena do evento, sabendo-se da qualidade dos dois atletas envolvidos.

Na primeira preliminar da noitada a ir ao ar pelo SporTV3, que transmitiu o evento para todo o Brasil, ao vivo, Jefferson da Silva (4-0, 3 ko's) e Gustavo Silveira (2-6, 1 ko's) disputaram o título brasileiro dos leves (CNB), que encontrava-se vago.

Jefferson partiu para o nocaute desde o início, sendo frustrado pelas esquivas de Silveira na maior parte do tempo. O problema de Gustavo era a falta de técnica na aplicação dos golpes, em contraste com seus reflexos acima da média. Silva seguiu na caça de seu contendor até o décimo e último período, vencendo por decisão unânime com placares de 99-90 e 100-90 (duas vezes).

Os combates foram um oferecimento do Governo do Estado do Pará, Tek Bond, Gazin e Parque Shopping Boulevard. A supervisão foi feita pelo Conselho Nacional de Boxe.

Comentários