Pós-Luta

Publicado em 17 de Janeiro de 2016 às 03h:04

Reviravolta e nocaute impressionante salvam a noite e o título de Wilder

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Autor Daniel Leal


Imagem: Bahahammer.com

Existem certas coisas que somente o esporte de luvas nos proporciona. Definitivamente vimos um momento destes na noite deste sábado, quando o norte-americano Deontay “The Bronze Bomber” Wilder (36-0, 35 KOs) defendeu com sucesso a coroa dos pesados, versão CMB, diante do polonês Artur Szpilka (20-2, 15 KOs), na luta principal do evento que ocorreu no Barclays Center, arena localizada no Brooklyn, na cidade de Nova York.

Mas as coisas estiveram longe, muito longe, de serem fáceis para ele.

O primeiro round, por exemplo, foi absolutamente ridículo. Szpilka, canhoto, tentava desajeitadamente, acertar qualquer golpe sem direção, e Wilder, de forma ainda mais patética, tentava desviar e fazer graça, não deu muito certo para nenhum dos dois. O combate ficou um pouco “menos pior” no segundo assalto, agora parecendo mais uma luta de boxe do que briga de bêbados. O polonês acertou mais, novamente, e encurtou bem as ações, acertando alguns golpes, contra quase nenhum do campeão.

Wilder não soltava seu jab e, por consequência, ficava perdido ao tentar encontrar o alcance favorável, sendo, eventualmente, acertado pela esquerda do polonês, que entrava e saia de seu raio de atuação. Ele melhorou um pouco nesse aspecto na quarta rodada, quando conseguiu, finalmente, encaixar uma bela direita.

Parecia então que Deontay tinha estabelecido a distância certa no embate. Apenas parecia. Szpilka, mesmo desajeitado, conseguia ir para o corpo a corpo e acertar bons socos, alguns que fizeram o norte-americano sentir. No sexto giro, as trocas favoreceram mais Wilder, apesar de muitas vezes desnecessárias para ele, que se favorecia, claramente, dos golpes em maior amplitude.

O imbróglio que se iniciara desorganizado, agora parecia um jogo tático, com vantagem para o desafiante durante a sétima passagem. Artur ia para cima, sem medo, e aplicava belas combinações, enquanto o pugilista do corner oposto parecia perdido em determinados instantes.

Ficou nítida a falta de ritmo do campeão quando errou uma direita e simplesmente foi ao solo, sozinho, ao fim do oitavo round. Ele estava passando por problemas técnicos seriíssimos.

Nada que um contra-golpe colocado no timing perfeito não resolvesse...

Talvez no pior momento em um combate em toda sua carreira profissional, Wilder, encurralado no canto enquanto o desafiante partia para cima com muita confiança, acertou uma bela direita sob o cruzado do oponente, e levou Szpilka ao nocaute, desmaiado. Um encaixe bem na ponta do queixo, daqueles que não se vê quando se toma, e que, por isso, são fatais. O árbitro nem precisou ir ao final da contagem para constatar que terminara tudo ali.

A pegada de Deontay Wilder, então, o salvou nesta noite. Em nossa contagem ele perdia por 4 pontos de diferença, até o momento derradeiro. Assim consegue defender seu título, mesmo lutando mal durante a maior parte de toda a contenda. Resta saber se contra os melhores nomes dos pesados, este mesmo poder de punch funcionará a contento. Tyson Fury subiu ao ringue para desafia-lo, em uma papagaiada digna de WWE. Mas ele tem que bater Wladmir Klitschko antes disso, enquanto o americano tem que passar por Alexander Povetkin.

O importante é que o valente desafiante saiu de maca, porém acordado, do Barclays Center, e os fãs, pasmos, com uma reviravolta dessas que só o boxe provoca, presenteados ainda com, provavelmente, o mais belo nocaute de 2016, com meros 17 dias passados neste ano que se inicia. Viva o esporte de luvas!

Na principal preliminar da noite, o norte-americano Charles “Missouri” Martin (23-0-1, 21 KOs) ganhou de presente o cinturão vago da FIB na categoria máxima ao ver o joelho direito de Vyacheslav Glazkov (21-1-1, 13 KOs) sair do lugar, obrigando a interrupção do confronto no 3º giro.

Glazkov iniciou jabeando e bloqueando melhor os golpes, apesar da envergadura maior de Martin que, por sua vez, falhava em surpreender ao encaixar os diretos, mesmo sendo canhoto.

O estadunidense voltou para o terceiro round com uma atitude diferente, visivelmente mais agressivo e procurando encaixar os punches de forma mais firme. O pugilista da Ucrânia sentiu dois bons golpes, mas o que decidiu o destino do enfrentamento acabou sendo o seu joelho direito.

Primeiramente, Vyacheslav escorregou ao trocar de base e levantou-se, mas era notável seu desconforto nas pernas. Em uma troca de golpes em que soco algum pegou, ao fazer o pêndulo buscando evitar um cruzado de direita de Martin, Glazkov caiu e, mesmo conseguindo ficar de pé, teve que desistir de continuar. Final infeliz e bizarro, para uma disputa de título igualmente infeliz e bizarra. A FIB, então, fez um campeão a sua altura...

O canal Fox Sports transmitiu o evento ao vivo para o Brasil, bem como a vertente digital da emissora, através do  FOXPlay.com.

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