Pós-Luta

Publicado em 29 de Janeiro de 2017 às 03h:10

Santa Cruz dá o troco, vence Frampton e reconquista título dos penas pela AMB

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Autor Daniel Leal


O mexicano foi quem venceu por decisão majoritária desta vez, em outro belo combate. Com isso, tornou-se campeão mundial pela quarta vez. Na preliminar, Mikey Garcia deu show e arrebatou o título dos leves pelo CMB. (Imagem: Suzanne Teresa/PBC)

Leo Santa Cruz (33-1-1, 18 ko's) conseguiu vingar-se de Carl Frampton (23-1, 14 ko's) neste sábado, seis meses depois do primeiro encontro entre ambos, dando o troco ao tirar a invencibilidade e o título mundial dos penas pela AMB de seu rival, exatamente da mesma forma que ocorrera com ele no Barclays Center, em Nova Iorque, na que fora a luta do ano em 2016. Tanto naquela ocasião, como hoje no MGM Grand, em Las Vegas, os juízes não concordaram entre si com o resultado, apontando decisão majoritária.

O equilíbrio do primeiro enfrentamento, desta vez, pendeu mais para o lado do agora tetracampeão.

Santa Cruz começou melhor, aproveitando todas as vezes em que Frampton tentava se aproximar para aplicar sequências e contragolpes. O irlandês tentou finalizar bem o primeiro round, mas levou o troco ainda nos últimos segundos. Com a distância mais encaixada, o mexicano seguia acertando no segundo assalto, enquanto Carl ainda não emplacava nada contundente.

Mudando de tática, o então campeão passou a esperar mais as ações do desafiante no terceiro giro e deu certo. Isso permitiu que Frampton passasse a conectar punches mais fortes e precisos do que antes. O quarto intervalo foi bastante movimentado e ambos buscaram sobressair com agressividade.

O britânico claramente esperava mais do que atacava, deixando Santa Cruz sem ação quando isso ocorria e abrindo espaços para a aplicação de bons socos. Visualizando isso, Leo fez o jogo mais inteligente na sexta rodada: Atacou o corpo. Com isso conseguiu manter vantagem na maior parte do tempo.

Frampton consertou seu plano para o sétimo round e finalizou-o como quase todos os outros, esquivando de combinações nos últimos dez segundos para impressionar os jurados. Seguiu em vantagem nos três minutos seguintes, quando seu opositor já demonstrava sinais de maior cansaço.

No nono assalto, o contendor da noite, porém, deixou para trás a impressão anterior e acertou os melhores golpes, aproveitando cada brecha deixada por Carl. As ações ficaram mais equilibradas no intervalo posterior. A falta de fôlego, no entanto, pareceu mudar de lado e agora pertencia a Frampton no décimo primeiro giro, para infelicidade do atleta da Irlanda do Norte.

O último gongo soou após trocas francas, com ambos sabendo que os pontos derradeiros em jogo poderiam decidir o confronto. Mais inteiro, Santa Cruz levou a melhor aproveitando as aberturas deixadas pelo jogo de seu oponente. Com isso, nossa marcação finalizava-se em 116-112 para o pugilista do México. Os jurados, por sua vez, viram 114-114 e 115-113 (duas vezes), em favor de Leo Santa Cruz, caracterizando nova decisão majoritária, agora para o lado que havia perdido anteriormente. Uma terceira disputa não está descartada já que, obviamente, os estilos e a vontade dos dois lutadores casam perfeitamente, o que brilha aos olhos da platéia.
O que também encantou o público foi, Mikey Garcia (36-0, 30 ko's), que na principal preliminar da noite não poderia ter feito melhor papel, precisando de apenas três assaltos para demolir Dejan Zlaticanin (22-1, 15 ko's) e tirar-lhe a invencibilidade e o título dos leves pelo CMB.

Garcia começou trabalhando muito bem no outside e atingindo nos espaços que seu adversário deixava. No terceiro giro, após aplicar belo uppercut de direita em contragolpe, Garcia viu seu oponente vendido próximo as cordas, não conectou o cruzado de esquerda, mas trouxe de trás um gancho destro fantástico para atingir Zlaticanin praticamente sem defesa. O montenegrino foi ao solo já desacordado e a contagem nem sequer chegou a ser aberta.

O norte-americano conquista assim seu terceiro cetro mundialista em três categorias diferentes, voltando com tudo após o hiato de dois anos e meio que teve entre 2014 e 2016. Mikey, automaticamente, retoma o posto de um dos maiores pugilistas em atividades, e uma disputa unificatória com qualquer outro dos detentores de boldriés em sua divisão de peso seria interessantíssima.

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