Pré-Luta

Publicado em 14 de Junho de 2017 às 08h:00

Com dois brasileiros nas preliminares, Ward e Kovalev fazem tira-teima neste sábado

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Autor Daniel Leal


Fabiano Pena e Alex Sandro Duarte, o “Careca”, representarão o Brasil no Mandalay Bay, em Las Vegas, em lutas que antecederão uma das revanches mais aguardadas dos últimos anos.
(Imagem: Montagem R13)

Demorou alguns meses, mas, neste sábado, deve encerrar-se a discussão. Isso porque, Las Vegas recebe a revanche entre Andre “SOG” Ward (31-0, 15 ko's) e Sergey “The Krusher” Kovalev (30-1-1, 26 ko's), válida pelo título mundial indiscutível dos meio-pesados, versões AMB, FIB e OMB. Depois de uma primeira contenda de resultado polêmico e com uma virada histórica do norte-americano, nada mais justo do que um reencontro entre os dois melhores pugilistas da categoria.

Não há muito à se acrescentar em relação a este combate para quem assistiu ao primeiro. Kovalev, então invicto e detentor dos três boldriés que estarão novamente em jogo, começou devastador e levou Ward à lona logo no segundo assalto. O americano se recuperou, e nos rounds finais mudou o destino do confronto, vencendo por decisão unânime.

Eletrizante e de pontuação polêmica graças a alguns giros bastante parelhos, a batalha de Novembro de 2016 não poderia ficar sem uma nova versão. É por isso que, ainda que tenham demorado um pouco, as negociações foram bem-sucedidas, provando que Ward não estava com medo do russo, que por sua vez, está sedento por vingança.

Tão sedento que andou até exagerando, dando declarações lamentavelmente racistas sobre seu oponente. Andre, último estadunidense a conquistar um ouro olímpico, deu de ombros e seguiu em frente, afinal, terá a chance de não apenas calar Sergey, bem como todos das pessoas que o criticaram pelo primeiro imbróglio, alegando um possível (e leviano) favorecimentos dos juízes.

Percebe-se, portanto, que a motivação os lutadores não é apenas profissional. Os dois querem provar algo, por isso mesmo se torna tão interessante o novo choque deste final de semana, que, infelizmente, assim como o primeiro, não deve ter transmissão para o Brasil.

Careca e Fabiano Pena encaram invictos nas preliminares

Os brasileiros Fabiano Pena (19-7-1, 15 ko's) e Alex Duarte, o “Careca”, (12-0-1, 9 ko's) também estarão no Mandalay Bay, esquentando o ringue para a luta de fundo. O primeiro pega Vaughn Alexander (9-0, 6 ko's), em oito rodadas, enquanto o segundo terá pela frente Bakhram Murtazaliev (8-0, 6 ko's), em no máximo seis. Ambas as disputas ocorrerão nos pesos-médios.

Pena mora à cerca de dois anos no México, aonde treina e performa regularmente. Sua pedra no sapato são as atuações nos EUA. Das sete vezes em que lá esteve venceu apenas uma, e perdeu cinco das seis restantes pela via rápida. A boa notícia para ele é que Alexander não é nenhum bicho de sete cabeças.

Na verdade, o norte-americano, oriundo de Saint Louis, Missouri, não tem nenhuma grande vitória na carreira, interrompida por doze anos graças a uma longa temporada na prisão, tendo sido retomada no final do ano passado. Pode ser, então, a chance de Fabiano emplacar um êxito, ainda mais lutando numa divisão de peso que lhe favorece.

Já Careca terá sua primeira experiência na Terra do Tio Sam. Ele já venceu três vezes fora do Brasil, porém todos os embates se deram na Argentina. Por lá, nocauteou os três portenhos que estiveram à sua frente. Antes disso, o boxeador guarujaense tornou-se campeão brasileiro dos médios-ligeiros, em Agosto de 2016.

No outro córner, no entanto, estará Murtazaliev, que diferente do oponente de Fabiano Pena, vem mantendo certa regularidade e encarou oposições um pouco melhores. O atleta da Rússia é uma aposta. Duarte vai ter que arruinar os planos da Main Events, promotora de Bakhram, se quiser seguir invicto. Tanto ele quanto nosso outro compatriota não são os favoritos, mas têm chance de vitória. Vale a torcida.

Além dos brasileiros, a preliminar principal também chama a atenção. Guillerno Rigondeaux (17-0, 11 ko's), o pugilista mais evitado da atualidade – por diversas razões – coloca em jogo seu cinturão dos super-galos diante do mexicano Moises Flores (25-0, 17 ko's), campeão interino da mesma entidade.

O cubano, que atuou apenas uma vez no último ano, não consegue as grandes oportunidades que merece. Aos 36 anos, após uma carreira estrelar no amadorismo, e um bicampeonato do Mundo na vertente profissional, era de se esperar que fosse uma grande atração, porém seu boxe dificilmente faz brilhar os olhos do grande público, que não entende completamente a ciência por trás da nobre arte. Sendo assim, fica difícil colocar os maiores nomes diante de Rigondeaux, uma vez que, sem geração de renda, não se torna possível arcar com uma bolsa que valha a pena os riscos que Guillermo impõe aos seus opostos. Triste, mas faz parte da realidade.

Até o momento, nenhuma emissora anunciou a transmissão deste programação para o Brasil.

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