Pré-Luta

Publicado em 09 de Setembro de 2016 às 17h:53

GGG enfrenta Brook e críticas neste sábado. Chocolatito pode adicionar mais um título a sua coleção, enquanto Yorubá também combate nos EUA

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Autor Daniel Leal


Gennady Golovkin encara Kell Brook, com transmissão para o Brasil pelo Esporte Interativo. Mais do que a ameaça do campeão dos meio-médios pela FIB, o cazaque também terá que transpassar as críticas que recebeu pela escolha do oponente que partem de todos os lados, inclusive da AMB, que não sancionará o cinturão dos médios para este combate. (imagem: Divulgação)

Que Gennady Golovkin (35-0, 32 ko's) é o melhor peso-médio da atualidade e um dos melhores lutadores pound-for-pound no mundo, não resta dúvida. Seu “boom” no mercado dos EUA se desenrolou pouco a pouco, e hoje ele é um nome muito atraente, principalmente quando atrelado ao de Saul “Canelo” Alvarez. Sob uma aura de homem à ser evitado dentro de sua divisão, muito reclamou da ausência de oportunidades contra os maiores, e mais recentemente passou a ter total razão. Criticou Alvarez pela escolha de Amir Khan como último adversário, devido às duas categorias que o mesmo teve de subir.

GGG, como é conhecido, pagou pela língua. Ao ver Chris Eubank Jr. pedir mais do que merecia como pagamento, optou por Kell Brook (36-0, 25 ko's), um desafiante vindo exatamente de duas divisões inferiores, assim como Khan. Só que com um detalhe, quando Canelo combateu Amir, o peso era combinado, ou seja, abaixo do limite dos 72,5 kg, situação diferente da peleja que ocorrerá na O2 Arena, em Londres, neste sábado.

Brook, campeão da FIB nos 66,5 kg, é respeitável e sempre foi um meio-médio grande. Tem boa técnica, mas venceu lutadores, basicamente, medianos em sua trajetória como monarca. Seu maior adversário, Shawn Porter, de quem tomou o título em 2014, teve possivelmente a noite menos inspirada de sua carreira quando enfrentaram-se, protagonizando um enfrentamento feio e difícil de se assistir. Desde então, o britânico defendeu o boldrié da Federação três vezes, todas por nocaute, contra nenhum oponente que realmente valha a menção.

Por essas e outras Golovkin, que tanto reclamou de ser evitado, tem sido duramente criticado. Ainda mais, pois, aos 34 anos, nunca dividiu o quadrilátero com ninguém do primeiro escalão da nobre arte mundial. Bateu bons atletas, superiores aos que Brook enfrentou, por exemplo, porém nunca adentrou o tablado contra um profissional da nata do pugilismo. Nada disso tira-lhe o mérito pelos 22 nocautes consecutivos que tem como marca, muito menos apaga sua técnica simples porém efetiva e muito bem refinada, entretanto é algo que não pode deixar de ser considerado quando pensamos na magnitude do nome “GGG” no cenário atual.

No fim das contas, a escolha de Kell como seu contendor possivelmente tenha sido muito ruim para Gennady. O inglês é maior fisicamente do que Amir Khan, mas a comparação tornou-se inevitável mesmo assim, o que torna uma vitória do boxeador do Cazaquistão quase que uma obrigação, aliado ao fato do desafiante, neste caso, lutar em casa. Logo, “Triple G” tem pouco a lucrar, além de sua bolsa, pois, se vencer, não fez mais do que o esperado, e se for derrotado, todo o “hype” em torno de si cairá por terra, incluindo seu maior pagamento da carreira, que deve acontecer em 2017, diante do já citado Saul Alvarez. Lhe sobraria apenas o reinado da AMB, que recusou-se á sancionar seu cetro mundialista alegando disparidade física e alto risco.

Para Kell Brook, o “Special K”, a situação é oposta: Receberá um cheque bastante rechonchudo e entra como franco-atirador, o que vier é lucro. Vencendo, pode tornar-se titular das 160 libras pela FIB, CMB e OIB (organização de menor expressão) e também uma lenda, entrando direto nos rankings libra-por-libra da imprensa mundial. Perdendo, pode retornar para seu peso original ainda campeão, com mais promoções importantes pela frente (e tem Errol Spence Jr. como mandatório). Dependendo da forma como for sua eventual derrota, ainda assim pode ganhar status maior do que o que possui hoje.

A boa notícia é que você vai poder acompanhar este evento pelo Esporte Interativo. O canal promete o início da transmissão às 15 horas, horário de Brasília. Só não se sabe se o canal transmitirá a mesma preliminar que passará nos Estados Unidos (e que você confere abaixo).

Caso não, você acompanha a contenda entre Lee Haskins (33-3, 14 ko's) e Staurt Hall (20-4-2, 7 ko's) valendo o cinto dos galos pela FIB, além de outras boas semifinais que trazem nomes interessantes e promissores como Callum Smith, Kid Galahad, Paul Smith e Conor Benn.

Chocolatito enfrenta Cuadras tentando o quarto mundial na quarta categoria diferente


Imagem: Divulgação

A transmissão de “GGG Vs. Brook” nos EUA colocará outra disputa no ar como a principal preliminar do combate de fundo. E é uma excepcional peleja. O nicaraguense Roman “Chocolatito” Gonzales (45-0, 38 ko's), campeão AMB dos palhas e moscas-ligeiros e campeão CMB dos moscas, tenta mais um cinturão em sua já brilhante e badalada carreira ao enfrentar o mexicano Carlos Cuadras (35-0-1, 27 ko's), atual detentor do reinado dos super-moscas pelo Conselho Mundial de Boxe. O imbróglio acontecerá em Inglewood, Calfórnia.

Em uma batalha de invictos e com bom poder de punch, este tem tudo para ser o confronto mais empolgante do final de semana, ainda que tenha um concorrente à altura do outro lado do Atlântico. Chocolatito é tido por muitos como o melhor boxeador dentre todos os pesos, mas encara alguém mais pesado e que já está na sua sexta defesa de cinturão. Enfim, uma luta imperdível para os fãs da nobre arte.

Yorubá encara Danny Valdivia pelo título norte-americano dos médios-ligeiros.


Imagem: Randes Nunes

Também na Califórnia, mas em Lemoore, no Tachi Palace Casino, o brasileiro Gilberto “Yorubá” Pereira (12-3, 9 ko's), 5º colocado no ranking Round13, faz sua terceira apresentação fora de casa em sua trajetória. Ele encara Danny Valdivia (11-0, 9 ko's), mexicano radicado nos Estados Unidos.

Valdivia será o segundo oponente invicto consecutivo de Pereira fora do Brasil. Dessa vez, porém, a categoria é mais adequada à Yorubá. Anteriormente ele chegou a atuar nos super-médios, mas neste sábado sobe ao ringue nos médio-ligeiros. Aliás, o combate vale o título norte-americano desta divisão versão NABF, que geralmente coloca quem detém esta alcunha muito bem posicionado nos rankings do Conselho Mundial de Boxe. Ou seja, é uma boa oportunidade para Gilberto, e em um peso com o qual está acostumado. Contra o brasileiro pesa sua idade, 39 anos, 15 a mais que seu adversário.

Yorubá foi agenciado para este compromisso por Patrick Nascimento, da IBG, que ainda esse mês volta à Terra do Tio Sam para negociar novas apresentações de atletas nacionais, uma delas de extrema relevância e que será revelada em breve.

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