Pré-Luta

Publicado em 01 de Dezembro de 2017 às 16h:15

O Adeus de um GIGANTE

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Autor Daniel Leal

Miguel Cotto se despede neste sábado em luta transmitida pelo SporTV3. O porto-riquenho deixa os ringues após quase três décadas dedicadas ao boxe, conquistando seis títulos mundiais e tornando-se o maior de seu país em toda a história. (Imagem: CBS Sports/Getty Image)

A trajetória de Miguel Angel Cotto (41-5, 33 ko's) como campeão do mundo não teve um início particularmente feliz para os brasileiros. O boricua alçou ao seu primeiro cetro mundialista vencendo Kelson Pinto de forma devastadora. Kelson foi um dos mais talentosos brasileiros em sua geração, estava invicto, e era nossa maior promessa de um novo título na época.

Aquele cinturão OMB dos meio-médios-ligeiros, que estava vago, no entanto, fora apenas uma consequência do talento e poder de destruição que Cotto demonstrava. Em pouco mais de dois anos, já estava reinando pela AMB na categoria de cima, após ter passado por atletas do nível de Paul Malignaggi, Randall Bailey e DeMarcus Corley, todos no auge. Diante de Carlos Quintana, que vencera 23 vezes consecutivas antes de encontrar Miguel, teve ainda menos trabalho para arrebatar seu segundo mundial.

Passou por cima de Zab Judah, em um clássico eletrizante, e depois sobre Shane Mosley, um boxeador de elite naquele momento, consolidando assim seu nome. Contra Antonio Margarito, no entanto, acabou ferido. Possivelmente pelas bandagens de gesso que ficaram famosas pouco tempo depois. Sem se abalar, na luta seguinte, conquistou mais um boldrié para sua coleção, recebendo a alcunha de tricampeão.

O duro castigo contra Manny Pacquiao ocorreu pouco antes dos rumores de que o filipino estava usando drogas de aumento de performance. Suas duas claras derrotas naquele instante, por consequência, tinham um quê de mistério, mesmo tendo sido incontestáveis dentro do tablado. Aproveitando-se disso, mais uma vez não se abalou e obteve o quarto reinado, na terceira categoria seguida ao vencer Yuri Foreman no Yankee Stadium, apenas 7 meses depois de ser atropelado por Pacquiao.

Calou Ricardo Mayorga, vingou-se de Margarito e viu seu caminho cruzar com o de Floyd Mayweather Jr. Ainda que se diga que Mayweather buscou tornar as coisas mais quentes no enfrentamento, como prometido antes do mesmo, Cotto sempre será lembrado como um dos poucos que fez Floyd sangrar dentro do quadrilátero, fazendo-o passar calor em diversos momentos. Um lutão!

Engrandecido mesmo no revés, novamente foi direto buscar o pentacampeonato, mas parou em Austin Trout, surpreendentemente. Resiliente dentro e fora do campo de batalha, não desistiu e um ano e meio depois aposentou o incrível Sergio “Maravilha” Martinez, que detinha o reinado CMB dos médios. Ali, Miguel tornava-se campeão pela quinta vez na quarta categoria distinta, feito inédito para um homem de Porto Rico.

Já com 35 anos, deu trabalho para Saul “Canelo” Alvarez em pleno auge, sendo transpassado por pontos de forma apertada e até polêmica. De novo, mesmo após quase dois anos afastado, jogou-se direto em uma nova contenda por título, e venceu. Reacendeu a chama em torno de seu nome ao não ter trabalho nenhum contra o valente japonês Yoshihiro Kamegai, arrebatando a monarquia da Organização Mundial de Boxe nos médios-ligeiros no último mês de Agosto. Claramente longe de seu topo físico, ainda assim Miguel Cotto tornou-se hexacampeão do mundo.

Neste sábado, esta lenda porto-riquenha despede-se de vez, segundo ele, dos ringues. Ele coloca em jogo seu novo centro frente a Sadam Ali (25-1, 14 ko's), no Madison Square Garden, em Nova Iorque, local aonde demonstrou em várias ocasiões sua habilidade e garra, lotando-o um punhado de vezes. Será triste despedir-se de Miguel, mas seria ainda mais vê-lo sair do esporte ao ser batido facilmente por atletas inconsistentes. Melhor assim. Cotto merece por ter tornado-se o maior em um país que formou Felix “Tito” Trinidad, Wilfredo Vasquez, Wilfredo Gomez, Wilfred Benitez e Carlos Ortiz, dentre outros grandes da nobre arte.

A despedida de Cotto diante de Ali será levada ao ar pelo SporTV 3, neste sábado, as 23:55 hrs. Rey Vargas (30-0, 22 ko's) defende pela segunda vez seu título mundial dos super-galos pelo CMB contra Oscar Negrete (17-0, 7 ko's) na principal preliminar. Em outra semifinal, Angel Acosta (16-1, 16 ko's) e Juan Alejo (24-4-1, 14 ko's) pelejam pela coroa OMB dos moscas-ligeiros, que se encontra sem dono atualmente.

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