Pré-Luta

Publicado em 15 de Janeiro de 2016 às 18h:07

Pesados em destaque marcam o início da temporada de grandes lutas de 2016

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Autor Luigi F.


Cima: Wilder x Szpilka (Imagem: Getty Images/DailyMail) / Embaixo Esquerda: Martin x Glazkov (Imagem: Stephanie Trapp/Showtime) / Embaixo Direita: Haye x De Mori (Imagem: Warren King Photography)

Após os dois primeiros finais de semana do ano não apresentarem grandes eventos ao redor do mundo, a temporada de 2016 se iniciará com três importantes duelos na categoria máxima neste sábado. Felizmente, o mais importante deles possuirá transmissão na TV ao vivo para o Brasil.

Wilder x Szpilka e Martin x Glazkov: disputas dos cinturões do CMB e FIB com transmissão para o Brasil


Charles Martin, Deontay Wilder, Lennox Lewis, Artur Szpilka e Vyacheslav Glazkov. (Imagem: Stephanie Trapp/Showtime)

Na cidade de Nova York, o norte-americano Deontay “The Bronze Bomber” Wilder (35-0, 34 KOs) defende a coroa dos pesados, versão CMB, diante do polonês Artur Szpilka (20-1, 15 KOs), na luta principal do evento que ocorrerá no Barclays Center, arena localizada no distrito de Brooklyn. O canal Fox Sports confirma a transmissão ao vivo para o Brasil através de sua grade de programação a partir da meia-noite de sábado para domingo (apesar do anúncio oficial da emissora informar que a transmissão se inicia apenas 1 hora da madrugada; por via das dúvidas, vale ficar ligado!). O FOXPlay.com também transmitirá o evento ao vivo.

Wilder, que conquistou a cinta há praticamente 1 ano atrás ao bater Bermane Stiverne por pontos (aliás, em sua única vitória até hoje decidida nas papeletas dos juízes), vem de duas defesas bem-sucedidas pela via rápida: em junho, ele bateu Eric Molina; já em setembro, a vítima foi Johann Duhaupas. Medalhista de bronze nas Olimpíadas de Pequim, o pugilista oriundo do estado do Alabama irá encarar mais uma vez um boxeador mais baixo e com menor envergadura. Em suas três lutas com títulos mundiais em disputa, o estadunidense de 2,01m de altura possuía a vantagem física nesses dois quesitos.

Szpilka, por sua vez, possui no currículo vitórias obtidas sobre nomes conhecidos da categoria máxima, como Owen Beck, Gonzalo Omar Basile, Taras Bidenko, Brian Minto e Tomasz Adamek. Sua única derrota na carreira profissional ocorreu em 2014, quando foi suplantado pelo ex-postulante a campeão mundial dos pesados Bryant Jennings. Sua última exibição foi em agosto do ano passado, quando bateu o cubano Yasmany Consuegra. Se obtiver sucesso no sábado, Szpilka se tornará o primeiro polonês a se sagrar campeão mundial entre os pesados.

Na principal preliminar, o norte-americano Charles “Missouri” Martin (22-0-1, 20 KOs) encara o ucraniano Vyacheslav Glazkov (21-0-1, 13 KOs), em disputa entre invictos válida pelo cinturão vago da FIB na categoria máxima. Antes de falarmos mais sobre os protagonistas deste embate, vale relembrar como eles chegaram até aqui (tema que inclusive foi o destaque de matéria publicada aqui no Round13 no final do mês passado).

O cinturão que entrará em jogo era pertencente a Tyson Fury, britânico responsável pela grande zebra dos últimos anos na categoria dos pesados ao bater Wladimir Klitschko, em novembro último. Entretanto, o contrato da luta entre Fury e Klitschko previa uma cláusula de revanche imediata em caso de vitória do britânico. Uma vez que a mesma foi exercida, ficou acertado que Fury colocaria seus recém-conquistados cinturões da AMB, OMB e FIB diante do antigo dono, Klitschko. A FIB, por sua vez, ordenou que o britânico enfrentasse Glazkov, o que seria impossível de ser realizado por Fury, em função das cláusulas do contrato contra Wladimir. Sendo assim, a entidade optou por cassar a cinta de Tyson Fury, e declarou que o novo campeão sairia do duelo entre Glazkov e Martin. Querem mais? Glazkov já estava apalavrado para encarar Deontay Wilder pela disputa do título do CMB, justamente na luta principal desse mesmo evento. Ou seja, muito mais por capricho do que por motivos técnicos, teremos 3 campeões diferentes na categoria. Coisas do boxe...

Deixando os bastidores da nobre arte de lado, vamos falar um pouco sobre os possíveis novos campeões, iniciando pelo pugilista da casa. Charles Martin se credenciou para a disputa após engatar sequência de 12 vitórias consecutivas pela via rápida (ele não sabe o que é consultar o veredicto dos juízes desde 2013). Para os brasileiros que possuem boa memória, Martin encarou Raphael Zumbano em fevereiro do ano passado, vencendo por nocaute no último assalto. Além de Zumbano, o norte-americano obteve mais 3 vitórias em 2015, sendo a última delas em setembro, contra Vicente Sanchez. Se Martin vencer (e Wilder obtiver sucesso na defesa de seu cinturão), será a primeira vez desde 2006 que ao menos dois dos principais cinturões de campeão mundial dos pesados estarão nas mãos de boxeadores estadunidenses. Naquela oportunidade, nos primeiros meses do ano, os EUA chegaram a ter três cintas na categoria máxima: Chris Byrd com a da FIB, Lamon Brewster com a da OMB e Hasim Rahman com a do CMB (em sua versão interina).

Para atingir o feito, entretanto, Martin terá uma parada dura pela frente. Medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim-08 e medalhista de prata no mundial amador de 2007, Glazkov também ainda não sabe o que é perder como profissional. Com vitórias sobre Tomasz Adamek e Steve Cunningham no cartel, o ucraniano tenta retornar ao leste europeu com pelo menos um dos cinturões perdidos por seu compatriota Wladimir Klitschko no ano passado.

Haye enfrenta Mori após hiato de 3 anos e meio


David Haye e Mark De Mori (Imagem: Action Images/Reuters)

Sem lutar desde julho de 2012, o britânico David Haye (26-2, 24 KOs) retorna às competições também neste sábado, quando enfrenta o australiano Mark “The Dominator” de Mori (30-1-2, 26 KOs). O duelo marca a primeira luta do “Hayemaker” desde a vitória por nocaute contra Dereck Chisora.

Haye, campeão indiscutível entre os cruzadores em 2008, subiu para os pesados no ano seguinte, quando se sagrou campeão mundial pela AMB ao desbancar o gigante russo Nikolay Valuev. Após duas defesas com sucesso, o britânico foi derrotado por Wladimir Klitschko. Após a derrota, ele lutaria apenas contra Chisora. Vale lembrar, entretanto, que durante esse tempo afastado, David chegou a ter algumas lesões que postergaram por diversas vezes seus compromissos que estavam agendados. Entre eles, Haye chegou a cancelar duas vezes lutas contra o compatriota e rival Tyson Fury: a primeira em setembro de 2013, quando há apenas alguns dias do embate, sofreu um profundo corte numa sessão de sparring, impossibilitando sua participação na luta; após o confronto ser adiado para fevereiro do ano seguinte, Haye acabou cancelando novamente o evento, após se submeter a uma complexa cirurgia no ombro direito. Aposentado desde então, ele anunciou seu retorno aos ringues no ano passado.

Apesar do cartel, de Mori entra como grande azarão. Lutando na casa do rival, o australiano tem no currículo vitórias sobre adversários de nível técnico bastante abaixo do que aqueles que já dividiram o quadrilátero de cordas com Haye. Tendo como grande esperança encontrar um oponente sem ritmo de luta, Mori terá pela frente o maior desafio em seus 12 anos como profissional.

Para os fãs que quiserem acompanhar o retorno de David Haye, será possível assistir ao vivo pelo YouTube gratuitamente, a partir das 19h deste sábado. Para acessar o link da transmissão, basta clicar aqui.

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