Pré-Luta

Publicado em 11 de Setembro de 2015 às 03h:08

Você vai assistir á Mayweather VS. Berto...

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Autor Daniel L. & Luigi F.

Imagem: jamtownentertainement

Não há muito mais à ser dito. Você já sabe, a principal luta deste final de semana é a entre o indiscutível campeão mundial dos meio-médios, o melhor boxeador dentre todos os pesos, Floyd “Money” Mayweather Jr. (48-0, 26 ko's) e o ex-campeão da categoria pela AMB, FIB e que atualmente detém o patético cinturão interino da Associação Mundial de Boxe, Andre Berto (30-3, 23 ko's). O “patético” da frase anterior se refere ao fato de existir um campeão unificado (Mayweather), outro campeão “regular” (Keith Thurman) – ambos em totais condições de luta, combatendo plenamente – e Berto, detendo um cinto que deve valer mais se vendido em uma casa de penhores, do que efetivamente valeria no mundo do boxe.

Pior de tudo, a AMB não faz isso só nos meio-médios, faz nos super-médios, médios, médios-ligeiros, super-penas, super-galos, galos e moscas. É isso mesmo o que você contou, a mesma entidade tem 3 campeões distintos em OITO categorias diferentes.

Isso nada mais é, caro amigo, do que um retrato do boxe atual, e do que leva ao combate de amanhã à noite. Dentre todas as fontes de receita, a Associação Mundial de Boxe escolheu a mais fácil delas: Proliferar títulos do mundo para sancionar. Dentre todas as opções do mundo Floyd fez o mesmo e escolheu a mais fácil, ou, digamos, à com o histórico mais favorável.

Digo isso pois, com todo respeito de minha parte para com o atleta Andre Berto – que foi boxeador olímpico pelo Haiti, da onde não saiu (ele é 100% estadunidense, tem apenas descendência haitiana), foi duas vezes detentor de um título mundial, e já foi tido como um grande prospecto do pugilismo, protagonizando boas lutas no extinto “Friday Night Fights”, da ESPN – sua carreira é marcada como a de um lutador que não conseguiu atingir o “outro nível”, alguém que derrotou bons boxeadores, mas quando tentou pisar em degraus ligeiramente mais altos, caiu da escada. Suas maiores vitórias até hoje foram contra Carlos Quintana, e Luis Collazo, nada que o credencie a enfrentar o melhor do mundo na atualidade.

Porém, conforme já discutimos aqui em outra oportunidade, este confronto pode ser mais estratégico do que atlético. Mayweather não só pode estar querendo alcançar as 49 lutas invictas e se retirar do esporte, pode estar na verdade apenas encerrando o contrato com a SHOWTIME para ficar livre ao fazer, pelo menos, mais uma luta em 2016, possivelmente uma revanche contra Manny Pacquiao. Por isso talvez pouco importe se a luta contra Berto não desperte a vontade do fã em comprar o pay-per-view, ou se esta for um fracasso de público, tanto Floyd quanto o canal de TV em questão já lucraram rios de dinheiro com o acordo que tinham.

Talvez devido a este fato, também, que ele esteja pouco se importando com as acusações de doping na contenda frente a Manny Pacquiao, em 2 de Maio, lançadas ontem de forma extremamente sensacionalista na mídia, visando manchar sua “despedida oficial”. Eu nunca vi alguém ser acusado de doping usando substâncias autorizadas pela Comissão Atlética de Nevada, não esteroides, cuja maioria dos lutadores usam após as pesagens. Nunca vi o próprio oponente ter sido informado disso, como dito pela própria USADA (agência anti-doping americana, que segue os padrões internacionais da WADA), ou mesmo ter pedido autorização para o uso sem necessidade desta, uma vez que seus testes randômicos eram voluntários, ou seja, ainda que flagrado, estaria dentro das regras de Nevada, e portanto não sofreria nenhuma sanção. O que poderia ser discutido é a autorização retroativa para tal (que segundo a agência só foi emitida depois do combate contra Pacquiao, pois Mayweather e sua equipe informarem a administração do medicamento, após o procedimento, diferente do “flagrante” que foi ventilado), mas, ainda assim, se não há provas de irregularidades neste procedimento, não há caso algum para ser discutido. Se a “acusação” estivesse neste quesito, se estivesse tratando de suborno a funcionários da agência citada, por exemplo, então teríamos algo a discutir. É lógica pura.

Sendo a luta atrativa ou não, Mayweather “dopado”, ou não, se Berto (este sim já flagrado pelo uso de hormônios sintéticos) merece estar lá, o embate acontecerá amanhã, de qualquer forma, em Las Vegas. E você vai assistir…

Vai assistir porquê é Floyd Mayweather combatendo, e apesar de todas as ressalvas que tenho para com sua pessoa, há de se reconhecer que é o melhor boxeador que temos hoje em dia, o melhor de sua geração, e um dos maiores de todos os tempos.

Ainda que uma das maiores zebras do boxe aconteça amanhã, e Andre Berto cale a boca do mundo todo, não mudará o que “Money” já fez dentro dos ringues, seus títulos lineares de super-pena à médio-ligeiro, e os mais de 20 campeões mundiais que já venceu. E se este resultado improvável acontecer, de fato, você também não vai querer ter perdido ele quando acordar no domingo e souber da notícia. Isto permeou a carreira de Mayweather de anos para cá, fazendo, sem perceberem isso, que seus “haters” lhe pagassem as maiores bolsas que já recebeu. Ou você acha que a maioria dos que gastam para vê-lo no quadrilátero de cordas realmente está torcendo por sua vitória?

Não importando para quem você torcerá, se é que torcerá, o evento terá transmissão para o Brasil pela Fox Sports, ao vivo, amanhã a partir das 21 horas. Contará ainda com as preliminares interessantes de Badou Jack (19-1-1, 12 ko's), defendendo seu cinturão CMB dos super-médios contra George Groves (21-2, 16 ko's), e de Roman Martinez (29-2-2, 17 ko's) colocando em jogo seu boldrié OMB dos super-penas ao dar revanche à Orlando Salido (42-13-2, 29 ko's) – eles se enfrentaram em Abril, com vitória de Martinez por decisão unânime.

E, acreditem amigos, vocês estarão na frente da telinha para assistir, pelo menos, ao evento principal da noite.

 

Jackson Junior luta nos EUA contra russo invicto

Em embate a ser realizado hoje a noite no Cosmopolitan em Las Vegas, EUA, o brasileiro Jackson Junior, o “Demolidor” (18-3, 16 KO’s – 1 NC), enfrenta o invicto Egor Mekhontsev (9-0, 7 KO’s). A disputa será na categoria dos meio-pesados.

Esta será a sétima luta no exterior do “Demolidor”. Após um início muito bom, com duas vitórias por nocaute contra adversários que evoluíam gradativamente, Jackson acabou entrando numa maré de baixas, iniciada com uma derrota por nocaute técnido para o cubano Umberto Savigne em março de 2013 (que posteriormente seria alterada para “no contest” – sem decisão, em função do adversário ter sido pego no exame anti-doping). Alternando com vitórias no Brasil, Junior foi derrotado posteriormente 3 vezes no exterior, sendo a mais recente delas contra o paraguaio radicado na Argentina Isidro Prieto, no último mês de março. Depois disso, foram duas vitórias no Brasil, ambas no mês de maio por nocaute no primeiro round. “A derrota do Savigne me atrapalhou e muito. Foi uma injustiça, mas nada disso vai me atrapalhar a focar no meu objetivo”, respondeu o brasileiro com exclusividade ao Round 13, em contato obtido ontem a noite com a colaboração de seu empresário, Patrick Nascimento.

Já Egor Mekhontsev, aos 30 anos de idade, parte para sua décima peleja profissional. Com uma duração de carreira no profissionalismo inferior a dois anos, o russo é tido como favorito no combate pela mídia internacional, dada sua carreira consagrada no boxe amador. Para quem não se lembra, Mekhontsev bateu o brasileiro Yamaguchi Falcão (que terminaria com o bronze) na semi-final das Olimpíadas de Londres, em 2012, e posteriormente conquistou a medalha de ouro naquela competição, na categoria meio-pesado. Além disso, o europeu acumula um excelente currículo amador, com medalha de ouro e bronze nos Mundiais de 2009 e 2011, respectivamente, além de duas medalhas douradas nos Campeonatos Europeus de 2008 e 2010.

“Ele é um lutador que boxeia muito. Minha estratégia é encurtar a distância o tempo todo. Minha preparação foi muito boa para essa luta. Espero fazer um bom combate e sair vitorioso. Nocaute é consequência”, comentou Jackson. Questionado sobre o que poderíamos esperar para seu futuro ainda neste ano e se tinha interesse em alguma luta em específico no Brasil, o “Demolidor” foi taxativo: “Meu objetivo e foco são nessa luta de amanhã. No momento não me interessa enfrentar nenhum brasileiro”.

Mekhontsev x Junior será a antepenúltima contenda da noite de boxe. O evento ainda terá a disputa entre o mexicano Oscar Valdez (16-0, 14 KO’s) e o estadunidense Chris Avalos (26-3, 19 KO’s). Valdez, de apenas 24 anos, tem no currículo duas participações em Olimpíadas (Pequim 2008 e Londres 2012) e vem construindo a carreira com lutas nos EUA, aumentando aos poucos o nível dos oponentes e se mantendo invicto até hoje no profissional. Já Avalos, que chegou a deter o cinturão norte-americano dos galos pela OMB, além dos cetros norte-americano pela AMB e inter-continental pela OMB na categoria super-galo, vem de vitória sobre Rey Perez no mês passado. Além deles, há o combate entre os norte-americanos Jesse Hart (17-0, 14 KO’s) e Aaron Pryor Jr (19-8-1, 12 KO’s) pela categoria dos super-médios. Hart, que obteve vitoriosa carreira como amador em seu país, entra como favorito, e vem de vitória sobre Mike Jimenez em maio deste ano, sendo este o grande destaque de sua carreia profissional até hoje. Já Pryor Jr, aos 37 anos, vem de derrota para Marcus Browne.

O evento será transmitido ao vivo para o Brasil pelo canal Sportv 2, com comentários de Daniel Fucs e início da transmissão previsto para as 23h. De acordo com Fucs, a transmissão da luta de Jackson ainda não foi confirmada pela organização do evento, que garantiu, por ora, apenas as imagens dos dois combates principais.

 

Outras lutas do final de semana

Hoje – Sexta-feira – 11/09/15

- Em Toronto, no Canadá, o haitiano naturalizado canadense Adonis Stevenson (26-1, 21 KO’s) defende seu cinturão de campeão mundial dos meio-pesados pelo CMB ante o estadunidense Tommy Karpency (25-4-1, 14 KO’s). Stevenson, invicto nas lutas em casa, vem de vitória por decisão unânime sobre o sempre duro Sakio Bika, e tentará reencontrar o caminho das vitórias por nocaute. Já Karpency, cuja principal vitória na carreira ocorreu no ano passado, em decisão dividida contra o ex-campeão mundial Chad Dawson (que em 2013 foi nocauteado no primeiro round por Stevenson), vem de quatro vitórias seguidas, e não perde desde 2012, quando foi nocauteado pelo polonês Andrzej Fonfara.

Amanhã – Sábado – 12/09/15

- Em duelo de dois britânicos pesos-pesados invictos, o medalhista de ouro na categoria dos super-pesados nos Jogos Olímpicos de Londres-2012, Anthony Joshua (13-0, 13 KO’s), encara Gary Cornish (21-0, 12 KO’s). Joshua, que vem atraindo grande atenção da mídia especializada ao redor do mundo pelas qualidades demonstradas tanto como amador, como no profissionalismo, tenta manter o cartel perfeito, em disputa que será válida pelos cinturões de campeão britânico (vago) e de campeão internacional pelo CMB. Atualmente, Joshua é o 2º no ranking da entidade, que tem como campeão o americano Deontay Wilder. Na principal preliminar, o jamaicano Dillian Whyte (15-0, 12 KO’s), que vem de vitória sobre o brasileiro Irineu Beato Costa, enfrenta o experiente Brian Minto (41-9, 26 KO’s), também em luta na categoria máxima.

- Em Mashantucket, EUA, Cornelius “K9” Bundrage (35-5, 19 KO’s) defende seu título mundial dos médio-ligeiros, versão FIB, diante do invicto Jermall Charlo (21-0, 16 KO’s). Bundrage, conhecido por sua participação na segunda edição do reality show The Contender, conquistou o título pela primeira vez em 2008, ao vencer Cory Spinks por pontos. Após defendê-lo com sucesso por duas vezes diante de Spinks e Sechew Powell, acabou derrotado por Ishe Smith em 2013. Em sua primeira defesa, Smith foi suplantado por Carlos Molina. Molina, por sua vez, também falhou em sua primeira tentativa de manter o cetro, perdendo justamente para Bundrage em outubro do ano passado. Já Jermall fará a sua segunda luta neste ano, e vem de vitória sobre Michael Finney. Caso saia derrotado, Jermall poderá ainda ser vingado pelo irmão gêmeo, Jermell Charlo (26-0, 11 KO’s), que atualmente é o 2º colocado no ranking da FIB.

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